terça-feira, 9 de maio de 2017


O que mudou depois que finalizei a tese? 

Muita coisa, uma delas por exemplo, é que abandonei este blog. Pensei que iria ter mais tempo. Que nada! Minha "falta de tempo"piorou. 

Mas então o que me fez retornar até aqui? Precisava fazer um print da tela do blog para compartilhar em um texto que estou escrevendo com a Meeri. Isso quer dizer que a tese não "morreu". Ela segue viva, vivíssma!!!

A promessa do dia (quer dizer, da noite) é voltar aqui mais vezes, muitas vezes!




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

De volta, mas ainda em trânsito!

Depois de 2 anos afastada do blog que construí para compartilhar experiências da tese de doutorado, fui tomada por um desejo enlouquecedor de voltar para este espaço. Tese finalizada e muitas dúvidas em relação de como seguir trabalhando com o tema da pesquisa que me contagia até hoje, decidi voltar. Talvez pelo simples falto  de seguir "em trânsito". Talvez porque Barcelona continue arrematando meu coração. Talvez porque encontrei tanta gente especial nestes últimos dias que fazem e fizeram parte da minha trajetória aqui. Talvez porque depois de anos escrevendo a tese me encontro em Barcelona pela 1ª vez sem a obrigação de estar nela. Talvez porque uma destinatária me fez debruçar novamente na tese, trazendo novas questões e novos ânimos para seguir pensando no tema.

Talvez, talvez...!!!

A tese foi publicada no espaço digital da Universidade de Barcelona. Segue o link para quem quiser acompanhar.

http://diposit.ub.edu/dspace/handle/2445/66263





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é meu lugar...

...Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!...
(Roberto Carlos - O portão - 1974)


Forjei inúmeras tentativas de voltar ao blog depois da minha volta ao território brasileiro, mas acabo sempre deletando minhas reflexões. Porque será? Será o medo de escrever aquilo que realmente sinto e vejo?

É uma mistura de tanta coisa, de vontade de mudança (isso que eu recém cheguei!!!).
 
Sinto tristeza em saber que poucos querem saber o que você realmente aprendeu.

Aliás fiz uma pausa de alguns minutos (agora) para saber se deveria seguir escrevendo ou não...

Minha sensação é que somos reprimidos a todo tempo de falar o que pensamos e o que vemos. Porque hein? Alguém sabe me explicar? 

Ontem a noite compartilhei uma reportagem no facebook cujo o titulo "Por que as universidades brasileiras vão tão mal nos rankings internacionais?" e que mais uma vez abarca o tema da minha tese. 

Tanta coisa para dizer e preferi não dizer...não acho que nosso objetivo deva ser, o de estar entra as mais, mas infelizmente estaremos sempre buscando as justificativas do porque não chegamos. É fato, é indiscutível  que precisamos não só nos internacionalizarmos, mas também ou principalmente pensarmos em estrategias para receber ou que vem, os que vão e os que voltam.

E daí me veio em mente esta música do Roberto Carlos...caramba, tive vontade de chorar quando escutei a música!!!

Ah sim, e tem uma parte que diz "Sem saber depois de tanto tempo...Se havia alguém a minha espera..."
...tinha sim, o abraço apertado do meu irmão, dos meus amigos e de tanta gente bonita!!!

Segue a letra e a música!!!


O Portão

Roberto Carlos

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei!...

Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!...

Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei!...

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz
Entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei!...

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei?
E eu falei!...

Onde andei!
Não deu para ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!...

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei!...

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei!...

Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é o meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!..(2x)

Eu parei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo!



sábado, 13 de julho de 2013

e se as cartas "já" pudessem falar?

...1 mês desde a ultima vez que escrevi e mesmo assim o blog continuou a ser visitado...

Quando fico tanto tempo sem escrever por aqui, fico indecisa sobre qual tema ou fato deveria compartilhar, alias foram tantos acontecimentos e novos insights que poderia fazer 1 post por dia.

Visita dos meus pais, meu aniversário, a formatura dos alunos do pró-licenciatura, a visita da Gabi e do Monta, seminário em Madrid sobre relações pedagógicas, seminário da Apecbcn e claro, as cartas.

Começarei por elas, as cartas. O interessante de estar trabalhando com este tipo de relato é que as pessoas já não perguntam mais sobre a tese, mas, como vão/andam as cartas.
Sugestão para aqueles que não aguentam mais perguntas sobre andamento de sua dissertação ou tese: mude a forma, transforme seu trabalho acadêmico em algo que possa mudar também a relação das pessoas com um trabalho acadêmico.

Minhas cartas andam loucas para se tornarem publicas, não só elas, como eu. Fiquei pensando: se elas pudessem falar, o que será que elas diriam?

Ah sim, muita gente perguntando também se já comecei a arrumar as malas e eu de imediato respondo: de jeito nenhum! Começarei a arrumar 2 dias antes para ter a sensação que falta muito ainda...

Ah sim 2: abaixo compartilho uma imagem de uma obra de um poeta-artista que ando pesquisando esta semana chamado Emilio Isgró. Suas obras tem me ajudado a pensar as cartas desde um viés poético-artístico ou que tipos de elementos, marcas elas deveriam conter, pensando (claro) na relação com cada interlocutor.




Um texto que pode ser bastante elucidativo sobre Emilio Isgró e sua obra.
http://pendientedemigracion.ucm.es/info/especulo/numero45/poevisu.html


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Você conhece a sua história?

Continuo pensando que nosso papel como cidadãos brasileiros vai muito além de votar ou concordar ou não com tal lei.

Sabemos tão pouco da nossa história. Esquecemos tão rápido do que sucede em nosso país.

Esta semana, estou aqui vidrada lendo e escrevendo sobre fatos e histórias que promoveram a ideia de 'universidade' no Brasil. 
Confesso que feliz por estar conhecendo tanta coisa que não conhecia, mas também questionando sobre 'nossa' (inclua-se quem quiser) falta de conhecimento e até mesmo de falta de vontade com a nossa história e principalmente falta de engajamento politico.

Nestas buscas por materiais, encontrei um tese que valeria a pena ler (a quem interessar, claro!) sobre as reformas neo-liberais nos governos do Collor e do FHC.

Autora: Monica Piccolo Almeida
Titulo da tese: Reformas neoliberais no Brasil: a privatização nos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso
Link da tese - http://www.historia.uff.br/stricto/td/1263.pdf



'Acho e acredito' que todo professor de ensino superior 'deveria' estar atento as transformações que ocorreram nesta instituição e que vem ocorrendo e da qual estamos vinculados: a universidade brasileira.

Quando pergunto no titulo: você conhece a sua história?, me refiro a uma história que ao mesmo tempo que é pessoal é também social.




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Cenas do próximo ou dos próximos capítulos…

Já pensou que tipo de professor você é?
Que tipo de aprendizagens promove em sala de aula?
E  a criticidade fica onde?
E a auto-criticidade?
Existe “espaço” para que o aluno pense na sua trajetória e no seu comprometimento de forma crítica?

E o que é realmente um ser crítico?
Tantas pessoas envolvidas com a educação (para não dizer só professor e/ou aluno) dizendo por ai que umas das aprendizagens durante seu processo de formação foi “aprender a ser crítico” e penso: é mesmo? Onde mesmo? Quando é crítico?


Estes últimos dias ando pensando nisso, no que gostaria de promover em uma sala de aula.

Ando pensando nas frustrações, nas desilusões, mas também nas possibilidades de pensar na "sala de aula", nas relações pedagógicas como espaço para  refletir sobre o comprometimento, o engajamento e assim a auto-critica.

Será que é tao difícil assim?

domingo, 19 de maio de 2013

infelizmente


Ontem foi a noite dos museus aqui em Barcelona, além de gratuito, ficaram abertos até a 1 da manha.

Tão bonito ver as pessoas participando, gente de toda idade até o ultimo minuto. Vi até mesmo muitas mães com seus seus filhos no carrinho.

 


Infelizmente, foi impossível não fazer comparações...
Gostaria muito dizer que lá também funciona como aqui: mas não!

Garanto que muitos agora diriam que os museus aqui só enchem quando promovem este tipo de evento. E aqui existem muitas criticas de como funcionam e se organizam os museus, mas, contudo, no entanto, porém... a comparação é e foi inevitável...

Ontem no Macba, escutamos uma brasileira dizendo que gostaria de frequentar mais museus no Brasil. Fiquei pensando onde esta menina mora ou morava. Bom, se for em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e acredito que Belo Horizonte  existem poucas desculpas. Porto Alegre também. Bom, o certo é que exposições acontecem mesmo nas capitais.

Para mim os museus aqui estão mais entranhados na cultura do povo. Infelizmente na nossa acho que são os shoppings e centros comerciais, isso no caso de Goiânia.  Infelizmente são poucas as universidades que tem no seu currículo uma disciplina especifica de museus.

Desculpe se estou sendo demasiadamente radical, gostaria de pensar diferente, mas infelizmente não consigo.

Bom, mas ñ posso deixar de mencionar grandes iniciativas quando tratam de pensar museus, participações e ações educativas. A galeria da FAV é um destes espaços em Goiânia que tenta promover não só exposições mas discussões sobre as mesmas e o mais interessante trazendo artistas de todo o Brasil. Também - felizes daqueles alunos que puderam participar das ações educativas coordenadas pela profa. Valéria na EAD.

A Bienal de Sao Paulo, a Bienal do Mercosul são grandes oportunidades, mas poucos tem acesso no meu ponto de vista ainda.

Será tao bom quando percebermos que não só as pessoas que trabalham com a arte frequentem um museu.

E mais, fico pensando aqui com meus botoes: quantos alunos de artes visuais acabam o curso sem nem mesmo terem frequentado um museu?

Buenas, hay mucho trabajo adelante!

Abaixo, imagens de nossa caminhada por 4 museus da cidade ontem: Fundació Suñol, Fundació Tapies, Macba e CCCB.







 


 










quinta-feira, 16 de maio de 2013

jornadas da semana...


Esta semana celebramos a 2ª Jornada Anual de Investigadores em Formação do doutorado aqui na Universidade de Barcelona.

Foram dias em que o caderninho não parou de ser preenchido. Muitas anotações, aprendizagens, conversas e uma troca gratificante de experiências. Foi umas jornadas de humildade, escuta atenta e todos dispostos a contribuir com o outro.

Em vários momentos durante o debate escutei colegas dizendo: estou utilizando tal autor, acho que poderá te ajudar também!
Sem essa de guardar a 7 chaves o tesouro. É bonito saber compartilhar o que um aprende e pensar que o outro pode aprender também.

Aprender em grupo é mais fácil, pelo menos eu acho isto!

Lembrei-me do meu inicio do doutorado: dos colegas que já acabaram, dos que estão na luta como eu para finalizar e também daqueles que se perderam pelo caminho. Aprendi tanto com eles, com os espigadores!!!

Penso nos que estão longe e que (não podem e não puderam) vivenciar este (e outros) ricos momentos de aprendizagem em grupo.

Fotinhos de alguns momentos :)




  

 

 














sábado, 11 de maio de 2013

autonomia, jornadas e universidade...


Eu acredito que a autonomia nos ensina sobre a criticidade...

Nestas ultimas semanas tenho pensado muito na questão da autonomia e na necessidade de promovê-la na universidade.

Este tema vem de encontro também com a proposta do Grupo Indaga’t e que neste curso está discutindo a questão da avaliação autônoma.

Nesta próxima segunda, terça e quarta-feira celebraremos na Universidade de Barcelona uma jornada de investigação organizada pelos próprios alunos do doutorado de Arte e Educação  Um bom exemplo de uma ação autônoma.


Para mim, estas jornadas serão muito importantes: primeiro porque compartilhar nossa investigação com colegas é sempre saudável, segundo porque será a 1ª vez que vou apresentar a tese depois das mudanças na forma de organizar o relato.

Espero na quinta-feira poder compartilhar algumas ideias do que rolou nas jornadas. 

Enquanto isso, vou organizando minha apresentação :)



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sobre escrever em outros idiomas, sobre conviver com outros idiomas


Acho que umas das minhas  fascinações de poder estar e viver em Barcelona têm um pouco a ver com a diversidade de gente que anda e vive por aqui e de idiomas com que nos deparamos cotidianamente.

Interessante é quando nos damos por conta de que já não sabemos mais em qual idioma estamos falando ou quando paramos para observar/escutar alguém no metro e não sabemos identificar em que língua a pessoa está falando.

Lembro-me dos primeiros meses em Barça  e eu no metro completamente paralisada tentando compreender que idioma falavam. Tanta gente e tanta diversidade!
Lembro-me também quando falava em castelhano e a pessoa respondia em inglês... (rsrsrs)!!!

Aliás, tem palavras que não consigo traduzir para o português, tenho a sensação que perde o sentido, o sentido e a relação construída por mim com tal palavra. Trago algumas como exemplo: Desarrollar – Cambio – Desplazar - plantear...

Quando decidi escrever a tese multilíngue, isso em 2008, um dos primeiros motivos era pela experiência de viver e praticar todos estes idiomas, nas dificuldades de não ser compreendida (mesmo que o castelhano seja parecido com o português) e nos desafios em escrever em um idioma novo.

Depois de alguns meses quando retornei ao Brasil, em 2009, percebi que em meu computador havia 2 pastas em relação a tese de doutorado chamadas: Goiânia e a outra Barcelona. Curiosamente na pasta chamada Goiânia os textos que escrevia estavam todos em português e na pasta Barcelona eram textos que escrevia quando estava aqui e todos escritos em castelhanos. Era como se aqui (BCN) eu não conseguisse escrever em português e em Goiânia não conseguia em castelhano.

Com o passar do tempo tive outras razoes para acreditar em uma tese multilíngue.

Nas entrevistas com os sujeitos brasileiros, os idiomas são frequentemente trocados, (re)adaptados e utilizados em constante sintonia. Na maioria das vezes de forma inconsciente.

Em algum post anterior, comentei que não estou escrevendo capítulos e sim cartas. 
Pois então, o idioma de carta depende de seu interlocutor. Se me comunico com certo interlocutor em castelhano, o idioma  da carta é/será o castelhano.

...........................

Cada vez que posto alguma coisa no blog fico durante alguns dias, editando o texto, porque encontro inúmeros erros de português ou castelhano. 
Um dos problemas de escrever em outro idioma e principalmente uma tese multilíngue é o preço que irá sair a revisão: uma revisão em português, outra em castelhano e outra em inglês.

A palavra ‘estrangeiro’, por exemplo, toda vez que escrevo vou até o Google para ver em qual idioma é com x ou s e ainda j ou g - Estrangeiro – Extranjero.

Bom, para finalizar este post compartilho esta imagem que salvei no meu computador a alguns anos atrás, mas sempre que posso volto nela, porque para mim é (e permanece) bastante emblemática - Barcelona, uma cidade de muitos idiomas...








quinta-feira, 18 de abril de 2013

...para mim a polêmica da semana...


Quase 1 mês que não publico no blog! O trabalho aqui cada vez aumenta e com isso tento não perder a concentração.

Mas esta semana surgiu uma discussão interessante no facebook sobre o olhar do estrangeiro que vive no Brasil, neste caso, me refiro exclusivamente a um post de um Frances chamado  Olivier Teboul que como ele diz é exagerado e nada muito sério.

Segue o link para quem não teve acesso:


Como me posiciono?

Não estou nem a favor daquelas pessoas que acharam legal tais comentários e muito menos (menos mesmo mesmo) daqueles que acham que os comentários de Olivier são como muitos disseram pela rede “idiota”.

O post pode ser divertido, falar algumas ‘verdades’ sobre nossos costumes, nosso jeito de ser e atuar na sociedade. Para mim é séria a discussão e certos comentários que surgiram depois de sua postagem são preocupantes.

Porque um estrangeiro não pode tecer/construir/criticar/fazer comentários sobre o país em que está vivendo?
Ah, claro eu (brasileira) posso, mas o ‘outro’ não.
Será que eu como brasileira conheço mesmo meu país?
Até que ponto luto para que a situação do país mude?

Entre idas e vindas a Barcelona poderia enumerar assim como fez Olivier comentários, criticas sobre Espanha, Catalunya e Barcelona...
E porque não?
Porque não posso?
Serei babaca se fizer isso?
É o MEU ponto de vista, estou falando da MINHA experiência.

Ah, sim: e porque um cozinheiro não pode falar da sua experiência em um país estrangeiro? Só pode falar o cientista social?
Qual é a diferença entre os dois? Para mim nenhuma.
Aqui está um dos pontos mais tristes para mim desta discussão: muitas vezes não nos damos por conta, mas discriminamos o tempo todo como se um ou outro estivesse mais autorizado a falar.

E aqui não estou falando como uma pessoa que investiga relatos de estudantes brasileiros em Barcelona, mas como uma brasileira que ao chegar a outro país para realizar seu sonho de estudar, teve que trabalhar em loja, em bar, se vestir de papai Noel no metro da cidade para sustentar-se. Não sou menos e nem mais que ninguém por isso.

Aliás, acho até que os comentários de Oliver foram bastante generosos e agradáveis. Ele poderia ter sido mais duro se fizesse relações com o transporte publico, com a questão da segurança e da violência e com a discrepância social com que vivemos e convivemos diariamente no Brasil.

Claro, uma vez escutei de um conhecido que a situação no Brasil tinha mudado, porque agora se podia comprar um computador em 10 vezes sem juro, viajar de avião, etc. Queremos pouco, lutamos pouco e nos contentamos com muito pouco.

Ninguém pode viver o que o outro vive, porque sempre será diferente.
Cada um tem seu olhar e por isso não me dá o direito de dizer que o outro é babaca.
Aqui (Barcelona) tem coisas ótimas, mas também coisas ruins, assim como no Brasil.

Entre este constante transito de ir e vir, sou consciente que para mim foi necessário ter um olhar desde outra cultura não para comparar, mas para compreender melhor a minha.


E para aqueles que possam achar que esta postagem gera prepotência, segue a foto abaixo:



Viva o Brasil na Catalunya e viva a Catalunya no Brasil :)





Ah sim: o tema da minha próxima postagem será sobre idiomas e como ando escrevendo mal o português! Estou escrevendo em qual idioma mesmo?...risos...


quinta-feira, 21 de março de 2013

"eu fiquei muito chocada"...


Esta semana eu estava pensando que não iria publicar nada no blog: até o final de semana tenho que finalizar 3 capítulos, mas a questão da redação no Enem nesta semana e a receita do miojo merece espaço e minha revolta também!!!

Fico aqui pensando: por um lado, a escola que continua ensinando formas clássicas de escrever um texto ignorando as muitas possibilidades que existe e por outro lado o pobre cidadão que já foi instruído (ou pensa que foi!!!) e que acredita que não precisa de uma formação continuada (aqui vale para todas as áreas, não só quem trabalha com educação)...

Ora bolas pessoal: vejam que século estamos, vamos ler, vamos nos informar, vamos sair da nossa zona de conforto. Não são só as leis que mudaram, mas conteúdos, ideias, conceitos e viva a pós-modernidade! A modernidade já se foi, as identidades não são fixas e como diz Baumam são liquidas.

E as pessoas criticando o menino que colocou uma receita de miojo na redação. Deveriam criticar professores, instituições que continuam ensinando como séculos atrás...
Pobre menino, tentou ser criativo, mas ninguém lhe ensinou como construir um texto que fuja de certos padrões clássicos!
E a gente fala em ser criativo, usar da criatividade...ele tentou, mas infelizmente não conseguiu. Não por culpa dele, mas por nossa culpa. Sim: acho que somos todos responsáveis quando se trata de um tema ou problemática nacional.

Certo, existem problemas que precisam ser discutidos:

- aprovar o maior numero de pessoas – DISCORDO
- precisamos novas formas de avaliação – CONCORDO
- Precisamos mudar muitos absurdos sobre este tema - ENEM e principalmente as politicas publicas educacionais...
- mas precisamos também que nossa forma de pensar a ‘educação’ mude e urgente...

E daí, vocês me perguntam: Lilian, porque esta revolta?

Acabo de ler uma matéria no clicrbs sobre a questão da correção da redação do Enem e uma das avaliadoras do concurso fala:

“Outra coisa que eu fiquei muito chocada: SE APARECESSE UM TEXTO COMO POESIA, OU NARRATIVA, MAS QUE TIVESSE A VER COM O TEMA, E QUE SE EU SENTISSE QUE EM ALGUM MOMENTO ELE ESTAVA DEFENDENDO DE ALGUMA FORMA O PONTO DE VISTA DELE, NÃO PODERIA ANULAR TAMBÉM, TERIA QUE DAR UM.

Lembrem-se: minha investigação é narrativa e o modo como construo o relato é a partir de cartas. Na tese me utilizo de imagens, poesia, musica e toda e qualquer referencia que possa me ajudar a construir outro tipo de relato.

E me pergunto agora, em relação ao que esta avaliadora expõe: não seria melhor perguntar-se que tipo de conhecimento ou informação este aluno mostra no texto (sem excluir a poesia ou a narrativa ou qualquer outra forma linguística de redação)?


Segue abaixo a reportagem:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/03/se-escrevesse-uma-receita-de-bolo-eu-teria-de-considerar-diz-avaliadora-que-participou-das-correcoes-das-redacoes-4081536.html

segunda-feira, 11 de março de 2013

E porque não, poesia, flor e cor?


Ontem recebemos uma querida visita em Barcelona, rápida (de poucas horas), mas  de muita energia positiva.

Entre tantas reflexões, crises de existência investigativa e inquietações também deve existir espaço para a alegria e cor, ou afinal de contas, investigamos para que?

Sim, acredito que muita gente faz um doutorado atrás de um titulo. Quando decidimos fazer um doutorado está em jogo muita coisa, para cada pessoa existe um significado, um motivo e uma inspiração.

Quando cheguei aqui em Barcelona (finalzinho de 2006) para fazer meu doutorado, não vinha em busca somente de um titulo. Era (e continua sendo) muito mais do que isso. Acho que Barcelona virou uma obsessão para mim. É algo que ainda estou tentando refletir, sobre esta relação de amor que sinto pela cidade.

Desde que cheguei aqui, desta ultima vez, construí 2 espaços de estudo: em casa e no Cecace (Centre d´ Estudis sobre els Canvis a la Cultura i Educació) – espaço gentilmente oferecido para que eu me dedicasse ao avanço da tese.


 



Durante estes meses tenho registrado as mudanças nestes dois espaços. Em casa, das imagens que ganham espaço na parede e no Cecace, livros e objetos que vão sendo diariamente substituídos por outros.

Jane, nossa visita de ontem, nos trouxe estas flores de balão. Hoje pela manha olhando para elas, pensei que podiam fazer parte da decoração do meu espaço de estudo em casa para mudar o ambiente, trazer energia positiva e mais cor (inspiração) para estes próximos meses que vem pela frente.





E viva a vida durante o doutorado!!!

sábado, 9 de março de 2013

Parada extra e super solicitada – para aqueles que não lembram ou não sabem ou ainda para aqueles que ...

Sim, minha tese trabalha com o tema ‘deslocamentos’ – deslocamentos e trânsitos de estudantes brasileiros em Barcelona.








(...) construímos um conceito de que gosto muito, o de desterritorialização. (...) precisamos às vezes inventar uma palavra bárbara para dar conta de uma noção com
pretensão nova. A noção com pretensão nova é que não há território sem um vetor de saída do território, e não há saída do território, ou seja, desterritorialização, sem, ao mesmo tempo, um esforço para se reterritorializar em outra parte. (Gilles Deleuze, em entrevista em vídeo)





As entrevistas foram realizadas em setembro de 2009.

E como se dão estes trânsitos? 
O que contam estes estudantes da sua experiência aqui? 
E como afeta suas identidades? 
Que significa um idioma novo? 
O que significa estar em outra universidade?
Em torno de quais significados, imagens e relações se constrói a identidade destes estudantes?





Porque é necessário/importante pensarmos em uma pedagogia internacional? 



  • Esta tese não está sendo escrita por um único idioma: é uma tese multilíngue.
  • Nesta tese escrevo cartas e não capítulos. Cada carta tem seu destinatário e elementos estéticos que as diferenciam umas das outras. O idioma de cada carta depende do seu destinatário. 
  • Nesta tese trabalho desde uma postura construccionista.
  • É uma investigação narrativa - com base nos referentes da IBA – reflexividade critica - entrevistas criativas - imagens dos estudantes.